sábado, 27 de junho de 2009

Poema Redenção

Me abandona a fantasia
A realidade me inunda
Meu faz já perdeu a conta
Zomba
Da carência de poesia
Das torrentes de desejo
Em quentes ondas terrenas
Para as quais dispenso ensejo
Já não apenas quero
Preciso...
Urgente, ardil
Saber
Onde o poema encontra a verdade
Quando o corpo padece febril
O sangue me sente a vida
A alma faz verão em abril
Na ilusão viver em realidade
Do plano real me basta um segundo
Cabe nele meu conto de fadas
Passeio ali minha volta ao mundo

terça-feira, 16 de junho de 2009

La Cancion de Los Buenos Borrachos, de Joaquin Sabina e Fito Paez

Cuatro gotas
de alquitrán en la voz,
siete notas empapadas de alcohol
campanadas
en el fondo del mar,
carcajadas
que me hicieron llorar...
Con un loro
que blasfema en latín,
le hacen corolos "sultanes del swing"
y una big band
con un trombón y bombin
de Nueva Orleans
en mi funeral.
Y ese tango
compadrito del sury
un fandango
de gitano andaluzy
un piano
con dos copas de más,
y unas manos
que lo sepan tocar.
Oraciones
para gente sin fe,
tentaciones
de volver a beber
el veneno
que tus labios me dan,
el obsceno
beso de la verdad.
La balada
de la casada infiel,
demasiadas
cosas por aprender,
el portero
de la Puerta del Sol,
el cartero
de tus cartas de amor,
el primero
en sacarte a bailar
un vals.
El vals
de la tristeza más triste del mundo,
la belleza que dilapidé,
la pereza de los vagabundos,
el rompecabezas que no terminé.
La palabra secreta, la mano
que planta violetas en el hormigón,
la maldita canción del verano,
la casa de citas de mi corazón.
Y el milagro del abecedario,
la tortuga que rompe a volar,
la ternura de los dinosaurios,
el aniversario de la soledad.
La liturgia de las despedidas
la bala perdida que viene por mí,
la nostalgia que amarga la huida,
la banda sonora de lo que viví.
La canción de los buenos borrachos
que, de madrugada,vuelven al hogar,
la canción que atropella los tachos
llenos de basura de la Capital.
La canción que se canta al oido,
la canción que no quieres oir,
la cantamos los malos maridos
cuando, en el olvido, pensamos en ti.
La canción de los buenos borrachos,
que, de madrugada vuelven al hogar,
la canción que atropella los tachos
llenos de basura de la Capital.
La canción que se canta al oido
la canción que no supe escribir,
la cantamos los malos maridos
cuando, en el olvido, pensamos en ti.

terça-feira, 24 de março de 2009

Torto

Me interessam as pessoas
Tortas
Os homens rotos
De dentes podres
Olhares escrotos
Desgrenhados
Gênios marotos
A história em vincos
As memórias nos rostos
As caras banidas
Dos mundos regrados
Por dias bem vividos
E noites mal dormidas

As putas
Marias sin rutas
Princesas dos becos
Rainhas dos puteiros
De ancas opulentas
Mamas tenras
Coxas suculentas
Gestos matreiros
Para bolsos generosos
E distintos cavalheiros

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Onze

Os pés pisam o tapete, puro
Descalços,
Desconhece, a grama, chuteira
Ali onde tantos já rezaram
Impõem-se no campo à beira
Impávidos em vulto obscuro
Os fantasmas daqueles que ali jogaram

O tempo se perde na imensidão
Afoga-se num mar de lágrimas
São milhares, sua história e mérito
Trazendo a esperança pela mão
Esvai-se a angústia e suas rimas
São onze, cada um e seu exército

É um jogo ou uma batalha
Por uma taça, uma vida,
Ou qualquer coisa que o valha
É você em campo, peito franco
Beijando a bola, caprichosa, bandida
A alma vestida em preto, azul e branco

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Gentileza

Não é gentileza, é verdade
E me perdoe se falo sem pensar
É espontâneo, inevitável
Como o amanhecer e o luar
Como as marés e as ondas do mar

Não me pergunte o que acoberto
Ou porque deixo de esconder
Em vã tentativa, pânico discreto
Na angústia camuflar o óbvio
Verso a verso, aos poucos dizer
Sem receio de saber o que se quer

Do desejo conheço a cor
E todo seu tom e matiz
O tempo traz temperos
Agrega sabor
Alegria a gosto
Felicidade em broto e raiz
Cavoucar fundo na alma
Onde a boca pede calma
E elogio não é favor

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Vendaval

É vendaval, não é brisa
Vento frio não sopra
É mais forte do que parece
E cresce
Levanta, poeira e moral
Onde o riso, fraco padece
Onde o mar não tem sal
Onde o fogo por vezes se aquece
A árvore acena e agradece
À areia a coreografia final

A torre balança gritando princesa
E a pluma desvairada dança
Se permite exibir, insiste ser criança
Ao sol é alento, é luz de luar
É poder ver sem enxergar
É vendaval, não é brisa
Feche os olhos e se deixe levar

Lentidão

Sempre fui um leitor lento
O tempo me morde à escolha da obra
E deste, do pouco que me sobra
Faço votos e reverência ao talento

Levo anos a dobrar da vida, capítulo
A esquecer algo, alguém
E você, é quem?
Foste meu ou de outro bem?
Um desfecho e lhe prometo título

Deste final já sei o começo
E faço da teimosia meu vício
Não peço
Meu ápice eu mesmo teço
Eterno retorno incosciente
Estar voltando ao seu início.